
Hoje, morreu Glauco, um dos maiores cartunistas brasileiros de todos os tempos. Criador de tipos impagáveis como Geraldão, Glauco tinha um traço inconfundível em que todas as personagens têm a mesma cara e perninhas nervosas que se multiplicam a cada tirinha.
Geraldão, sua personagem mais famosa, jamais passou despercebida pelo meu olhar sedento por personagens insólitas (apesar de esta não ser minha tirinha favorita). De onde Glauco teria tirado a inspiração para criar um tipo que tem garrafas de cerveja equilibradas na cabeça, uma seringa suspeitíssima espetada na ponta do nariz e que desfila quadrinhos e mais quadrinhos sua ereção eterna completando o quadro bizarro de sua esquelética nudez?
E de onde teria surgido a Dona Marta (minha favorita), aquela mulher de meia idade e seios fartos que costuma atacar de gerentes a boys do escritório em que trabalha a fim de tirar o "atraso" dos tempos em que esperava pelo grande amor de sua vida?
E o Casal Neuras? E o Zé do Apocalipse?
O Geraldinho, sabemos que veio do Geraldão, mas de onde mesmo veio o Geraldão?
Essas perguntas já foram respondidas pelo próprio Glauco enquanto ainda vivia. Algumas nem precisam de respostas se pensarmos bem. Mas hoje, uma pergunta não quer calar: por quê?
Sabemos que a vida um dia acaba, mas Glauco, diferente do que foi dito lá em cima, não morreu: foi morto. Não por um bandolero de sombrero animado como a sua personagem em Los Tres Amigos, mas por um amigo - que não era nenhum daqueles outros dois. Por que mataram Glauco?
Que ataque de mau-humor foi esse?
Que piada mais sem graça foi essa?
E agora, o que será do Geraldão, da mãe do Geraldão, da Dona Marta, do Casal Neuras, do Zé do Apocalipse e de nós: fãs, leitores, telespectadores...
Pensando bem, Glauco não morreu como foi dito lá no início do texto, tampouco foi morto conforme o seu assassino mau-humorado esperava.
Glauco virou desenho. Pra sempre.


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